A História

Columbina


Linda Colombina

Dize pra mim quem sou,
Que ao simples bailar no salão
trago costurados em meus vestidos:
amores,
perjuros,
juramentos
juízos!
.
De uma noite linda e violeta.
Da cor do batom selado em meus lábios,
de doce menina inocente,
cobiçada,
amada e perdida
de corações em disparates.

Eu Colombina...

Que faço promessas a mim mesma
De nunca ter só um coração ao meu alcance
quero todos,
e ao mesmo tempo nada quero.

Pois ter é sinal de cobiça
e não ter é sinal de ignorância.

Dize pra mim quem sou
Pois eu mesma já não sei.
E se sei, nem a mim tenho audácia de revelar.

Certeza só tenho de algo
Que o meu desfilar no salão mascarado
É como deixar todo o espaço inebriado
de um perfume feminino
que não só domina o olfato
domina a alma
domina o corpo
domina os lábios e o peito
domina os cinco sentidos
E até o sexto se acaso tiver.

Sou jovem condenada ao acaso
De lambuzar os sonhos meninos
de desejo
de luxuria
de romantismo.

Depende dos olhos que me vigiam.
Para uns, sou a borboleta selvagem
em busca da mais linda e cobiçada Dama da Noite.

Para outros, sou a lua espelhada no riacho
linda, prateada, e ingênua
Mas impossível de ser tocada.

Eu por mim só, sou a Colombina,
a dama que vagueia este salão populoso.
Em uma noite de esperanças,
a espera de um coração verdadeiro
que não seja muito triste
e nem  assim muito fogoso.